sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
A primavera chegou e eu, aprecio.
Pelo muro, enxergo, restam algumas bandeirolas desbotadas. Observo enquanto o vento sopra de leve em meio ao calor da noite. Cores sem euforia, memória da boniteza que viveu nas noites de junho. Escuto sorrisos e sinto cheiros. A primavera chegou e eu, que nunca soube cuidar de flores, aprecio. Eu poderia ser tua hoje, moça. Nem precisa colher nada não. As mãos que seguram teus queixos poderiam desenhar minha boca em movimentos precisos enquanto eu saciava minha vontade de escrever em cada cantinho teu. Coisas absurdamente levianas. Coisa nenhuma. Tocar. De-di-lhar. É o que me ocorre enquanto você fecha meus olhos. Você poderia começar existindo em minha língua, aqui, molhando teus dissabores. Ou então que se mastigue uma história sobre toda aquela coisa que a primavera faz com as cerejeiras, clichês, a cor do meu vestido, a "transa de Caetano", teucorponomeucorponoteu. Que se mastigue enquanto o vinho vai desgrudando a alma e lançando carinhos jamais praticados. Ficaria bonito, eu digo.
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Esse texto é meu. (: Cadê crédito?
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